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EU EXISTO. VOCÊ ME VÊ?


Novo vídeo da campanha da DPMT mostra história de jovem de 18 anos em situação de rua

Depois de conflitos familiares e de uma trajetória marcada pela violência, rapaz busca emprego, acolhimento e uma oportunidade para recomeçar

Por Alexandre Guimarães
29 de de 2026 - 16:24
Reprodução Novo vídeo da campanha da DPMT mostra história de jovem de 18 anos em situação de rua


Aos 18 anos, um jovem tenta encontrar um caminho para recomeçar a vida. Depois de conflitos familiares, passou por diferentes casas de parentes e voltou a viver nas ruas. Sem documentos e até mesmo sem calçados, procura um emprego e tenta conseguir acolhimento em um albergue.

Essa história é o tema do novo vídeo da campanha “Eu existo. Você me vê?”, da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPMT), lançado nesta quinta-feira (29).

O vídeo integra a primeira etapa do “Selo Sujeito de Direitos”, iniciativa idealizada pela Diretoria de Imprensa e Comunicação Institucional (Dici) para dar visibilidade ao trabalho dos Grupos de Atuação Estratégica em Direitos Coletivos (Gaedics) da Instituição. Neste caso, o foco é o Gaedic Pop Rua, que atua na defesa dos direitos das pessoas em situação de rua.

No depoimento, o jovem relata episódios de violência dentro de casa e as dificuldades enfrentadas desde que deixou o ambiente familiar. Ele conta que, depois de uma briga com o padrasto, foi atingido por 16 facadas. Sem conseguir permanecer com os familiares, acabou voltando para as ruas, onde já tinha vivido por meses em outra ocasião.

“Estou na rua desde ontem. Não é a primeira vez. Na última vez, fiquei cinco meses morando na rua. Aqui eu estou buscando um emprego”, revelou.

A falta de documentos, segundo ele, é um dos obstáculos para conseguir trabalho. Enquanto procura uma oportunidade, tenta encontrar abrigo e condições mínimas para seguir em frente.

Este caso revela uma realidade que muitas vezes passa despercebida por quem cruza com pessoas em situação de rua nas cidades. Por trás de cada pessoa há uma trajetória, vínculos familiares, experiências de violência, necessidades e planos para o futuro.

A campanha busca justamente chamar a atenção para essas histórias e combater o olhar que reduz essas pessoas à condição de vulnerabilidade em que se encontram.

Sujeitos de direitos – A campanha “Eu existo. Você me vê?” foi lançada no dia 15 de outubro, com o propósito de sensibilizar a população para os direitos das pessoas em situação de rua.

A mensagem central é que ninguém perde sua condição de cidadão por não ter moradia, emprego ou apoio familiar.

Além dos vídeos publicados no site institucional e nas redes sociais, a iniciativa prevê intervenções nas ruas para estimular a reflexão sobre o tema.

A proposta também é apresentar à sociedade o trabalho desenvolvido pelo Gaedic Pop Rua e mostrar como a Defensoria atua na proteção dos direitos dessa população.

O “Selo Sujeito de Direitos” foi criado para reunir diferentes campanhas de divulgação dos Gaedics, cada uma voltada a um público e a uma área de atuação. A iniciativa busca aproximar o órgão da sociedade e ampliar o conhecimento sobre a defesa coletiva de direitos.


Cenário desafiador – Os números ajudam a dimensionar o desafio. Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/POLOS-UFMG), com base no Cadastro Único (CadÚnico), registraram 3.603 pessoas em situação de rua em Mato Grosso em 2024.

Levantamentos referentes ao fim de 2025 apontaram mais de 4 mil registros no estado, um aumento de 12%, com concentração expressiva em Cuiabá.

No país, o número de pessoas nessa condição também cresceu. Os registros do CadÚnico indicavam 365.822 pessoas em situação de rua no fim do ano passado, cerca de 11% superior ao registrado no ano anterior (327.925).

Os dados evidenciam a dimensão de um problema que envolve diferentes fatores, entre eles conflitos familiares, desemprego e vulnerabilidade socioeconômica.

A realidade também atinge crianças e adolescentes. Levantamento divulgado em 2026 pelo OBPopRua, em parceria com a Rede Nacional Criança Não É de Rua, identificou 9.976 pessoas de até 17 anos em situação de rua no Brasil, com base em informações do CadÚnico.

Diante desse cenário, a campanha da DPMT reforça que a garantia de direitos começa também pelo reconhecimento da humanidade de cada pessoa.

Mais do que apresentar estatísticas, a iniciativa convida a sociedade a enxergar histórias como a do jovem de 18 anos, que, apesar das dificuldades, continua buscando trabalho, acolhimento e a possibilidade de construir uma nova trajetória.

Veja o vídeo aqui.